Catarse Cotidiana

 

Na Grécia a catarse era fundamental para se fazer teatro. O espectador saía do espetáculo como se pudesse sentir o Olimpo. Afinal, os problemas dos personagens eram seus problemas, mas de uma forma literária. Santo Agostinho, posteriormente, fundamentaria uma de suas teorias: os problemas alheios servem de consolo para a alma de quem os vê. Nos tempos atuais, essa marca de catarse continua latente e ninguém mais que Plínio Marcos para outorgá-la em seus textos.

 

Na obra de Plínio Marcos vê-se um mundo que parece alheio, pessoas que parecem a beira de um colapso, sem perspectivas, sem sentido para existência. São personagens fortes que para o ator é uma satisfação interpretá-los. Há tanto na obra, quanto no autor, quanto na platéia uma catarse conjunta. Como se todos pudessem gritar ao mesmo tempo um mesmo som, mas com diferentes significados.

 

A principal tarefa para o grupo Pé de Lama foi descobrir as facetas da interpretação. Acostumados com um fazer teatral mais voltado para o social, mas pela ótica lúdica, sensível, tiveram, todos, de experimentar seus próprios medos e enfrentá-los. Do contrário seria difícil imaginar personagens comuns. Deixar de lado os escudos para mergulhar numa dramaturgia crua, sem possibilidade de grandes disfarces.

 

Grotowsky já enunciava que é importante desfazer-se de máscaras, conhecer-se muito intimamente, assumir seus limites para se fazer teatro. Plínio Marcos levou essa intenção para sua dramaturgia. Interpretar seus personagens é esbofetear uma vaidade. Mostrar-se nu. Esse é o desafio.

 

A cada palavra, a cada diálogo, a cada cena, a realidade da gíria, do palavrão, do personagem marginal (muito embora num limite tênue, todos saboreamos a violência) é mostrado um pedaço de mundo além da folha de jornal. Há notícia na obra pliniana. Há fato, veracidade e verossimilhança.

 

Os personagens estão aí. Piscando para cada ator na tentativa de tornar-se vivo. E os atores para interpretá-los, abrem os olhos para o cotidiano, para o vizinho e para a própria superação. Ser violento é ponto de vista, exemplo de Bereco que para dominar os demais presos usa de força bruta. A estratégia de nada adianta, o que importa é quem berra mais alto, bate mais forte ou não perdoa uma dívida moral.

 

Essas pessoas estão aí, no ônibus, na praça, na faculdade, na favela, em bairros nobres etc; o que garante que nenhum de nós nos tornemos marginais?  

E ela está de VOLTA:

capa do novo cd: Björk

esperemos anciosamente!

Da luz faz-se o objeto. Enxerga quem quer

 

A luz abaixa preparando-nos para o sonho. De pouco em pouco filetes de luz constroem uma nova era. A cortina abre-se devagar, denunciando um presságio. A música começa lenta e suave quase inaudível e conforme o cenário é posto em nossas pálpebras, aumenta para despertar uma emoção. Pronto: o espetáculo começa.

 

No palco, uma trupe que fala de uma época. Dramático e satírico. O sotaque é apenas um gracejo: nem português, nem espanhol, nem castelhano. Cubano. O ator de vozeirão começa a empunhar seu texto. Todos observam. As mulheres cantam, dançam e iluminam. Quiçá a luz não estive lá, não haveria problema. O outro ator, usa e abusa da caixa traseira do rosto para implementar seu personagem. A louca, ora...ora..., todos eram loucos, impressiona.

 

O cenário, exótico, de retalhos e bambus, complementa a atuação. Tudo é festa. Tudo é ode. Tudo é teatro. Peter Weiss escreveu a obra Marat/Sade para ser transformada numa Ópera Bufa. Bufam aqueles que não conseguiram entrar. Afinal, foram horas de espera que valeram cada minuto.

 

Assim foi a atração: Charenton do grupo Buendia de Cuba, que apresentou-se no Centro Cultural Vergueiro ontem. De graça. Na II Mostra Latino Americana de Teatro de Grupo. Espetáculo é pouco.

SEBASTIÃO SALGADO

SOBRE A EXPOSIÇÃO ÊXODOS 

A fotografia de Sebastião Salgado expressa além da beleza artística. Nela encontramos uma mistura, muito interessante, de ética e estética. Nada é só o que parece, o artista, por intermédio de sua lente capta essências humanas: gestos, olhares, paisagens que contam histórias. Não são meramente estáticas. 

A proposta de “Êxodos” é documentar os processos de partida em 41 países visitados por Salgado. Os motivos que levam alguns a sair de seu país natal para viajar, não no sentido de lazer, mas de necessidade, em busca de novas expectativas. Na África, a fome, a miséria, o governo ditatorial expulsam seus cidadãos; no Brasil, os índios, com seus costumes e moradia, devastados pela “civilização”; no México, a fronteira que representa não apenas uma divisão, mas o mundo; A Ásia e os problemas religiosos. Em todos, muito embora povos diferentes, a mesma necessidade: viver. 

"Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Há diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reações das pessoas são semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar sua sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras, adaptam-se a situações extremas”, afirma o fotógrafo. 

O MAR NÃO ESTÁ PARA PEIXE

E minha imaginação idem!

Gente estou passando por um período de falta de vontade de escrever.

Ai credo!

Espero que passe logo!

CAIXAS PRETAS 

Uma caixa preta com imagens. É isso que você tem em sua casa, em lugar privilegiado, muitas vezes, em forma de altar, na sua sala, quarto, cozinha e até mesmo no banheiro. Pode medir pouco mais do que seus braços abertos. Encanta, seduz e aliena. Muitos choram diante dela, afinal a televisão é um modo de divertimento e de entretenimento de muitos cidadãos brasileiros. 

Outra caixa preta, mas agora sem imagens. Diante dela pessoas choram. E, não estimado leitor, não procuram divertimento, tampouco podem mudar de assunto ou de canal ao levantar o braço. Aliás, se levantar o braço, muitos saem correndo em desespero.  Ali onde o sofrimento não é eterno, jaz. 

Deus inventou o homem e deu a ele a capacidade de transformar. Diferente dos animais, coadjuvantes no habitat terrestre, mas igualmente importantes, os homens inventaram tantos outros para se explicar e explicar Deus. Nos vários questionamentos, inventaram a TV. O homem preso numa caixa preta, ou cinza, ou branca, ou a cor que quiser, o quanto gastará nessa investida, vai de cada um, interfere na vida dos outros, invade, saqueia pensamentos, induz, modifica. Evidente que deforma também. Tudo dependerá dos anseios e de quanto o “merchandising” (interferência do anunciante nos programas) deixar. Será que estamos fadados a propaganda? O canal televisivo Cultura, é sempre um exemplo de boa programação, de informação de qualidade e de responsabilidade social. Mas, me aponte para quantas pessoas você indica os programas da rede? Melhor, me diga o nome de cinco programas apresentados pelo conglomerado? Sim. A “Cultura” deixou de ser estatal e passou a ser 50% pública e 50% privada.  

Satanás foi expulso do céu por querer ser Deus. O anjo mais bonito do universo foi banido de seu lugar de morada em 1914, coincidentemente, ano de início da 1ª Guerra Mundial. Novato na Terra, não? Foi motivo de chacotas, de elogios e de descrenças. Interpretado de várias maneiras, mexe com o imaginário popular. Falando em imaginário popular, a caixa preta, também influencia demasiadamente os pensamentos do povo. Povo esse que compra, em mais de 12 vezes, a tão sonhada caixa de imagens. Preta.  

Os tempos áureos de exibições foram esquecidos nos anos 50 e agora, o que podemos notar, é uma programação suja, de olhos vermelhos, com chifres e tridente com uma frigideira pronta para nos assar. Não. Claro que não. O fator comercial é apontado em todas as alternativas de programação aberta, mas nem tudo é ruim. Nem tudo tem que ser maniqueísta. Dentro de uma variada opção de alternativas, existem o que podemos classificar como: benéfico. É o que é isso? Ou contrário? 

Deus e Satanás foram construídos de diversas maneiras na tv brasileira. O bem e o mal lutam constantemente para que possamos polarizar, mesmo com exageros, os seres humanos e suas condutas. A TV é um reflexo do que existe hoje: exploração, sexualidade, violência, educação, entretenimento, cultura e tantos outros assuntos pertinentes a todos nós. O mais importante é pensar sobre quem assiste e como assiste. É para ele que a programação é desenvolvida. Não existe céu e inferno na TV, o que existe é interesse. De quem assiste e de quem domina. Monopólios? Falaremos disso numa outra oportunidade. 

A saída não tem saída. É uma entrada. 

Quer lhe dizer que te amo. Não do modo romântico com que os filmes clássicos estruturaram o amor. Não quero você para mim. Seja assim, sempre assim. Não precisa me amar também. O meu basta. Arrasta. Mas, é suficiente. Queria ter poderes mágicos para arrancar de você essa tristeza. Desculpe, minha cartola não tem soluções. O coelhinho branco nunca existiu. Eu sim.  

Quando parecer que não tem volta. Revolta-se! Diga para si, para o mundo apocalíptico que te devora: basta! Exija! Seja! Amadureça. Não a ponto de cair e espatifar no chão. A ponto de estar plena. Consciente e triste. Mas viva! 

Não tenho mais o que dizer, as palavras faltam e eu não quero parecer pedante. Sou apenas amante. Se um dia de envolvi com minha tormenta, sinceramente, obrigado por não me deixar afogar. As lágrimas que de você saltaram, jubilosas, marejaram os meus também. Não sou onipotente. Não quero ser Deus! Quero fazer desaparecer toda a dor que sente. Desminta o que penso: não existe saída. Só temos entradas. 

O PODER DA PALAVRA 

Por Siva Nunes 

Adam Smith já anunciava em tempos remotos, “Querer é poder”. A vontade de se fazer algo supera as dificuldades, ou melhor, permite ao cidadão enxergar melhor as estratégias de conquista. Não foi diferente com Hitler, evidente que estamos falando de contextos diferentes, e com o vizinho que pretende vender um objeto qualquer. 

Está implícito no dia a dia a negociação para se fazer política entre nós. Repare quando precisa comprar algo e exija desconto. É negociação. Quando necessita de um favor, mas precisa ressarcir alguém para tal. É negociação. Quando, por intermédio de argumentos sólidos e factuais, induz alguém a acreditar no seu discurso. Opa. Será isso negociação, obtenção de poder ou manipulação? 

Para tudo existe contexto. Uma mesma situação pode acontecer em lugares diferentes com  intensidades diferentes e seu significado e resultado dependerá de seus interlocutores. Numa discussão entre amigos escolares, um se exalta e diz para o restante que é insuportável a aula de determinado professor. Amigo leitor, o professor referido lhe deu nota baixa em matemática. O aluno, resoluto, afirma que tal educador não deverá mais dar-lhes aulas. E merece essa punição.  

Num tribunal um grupo de jurados decide qual será o veredicto de um jovem porto-riquenho acusado de ter matado o próprio pai. Doze homens trancafiam-se numa sala e começa, a priori, a sentença. Aparentemente, fácil de responder se o jovem é ou não inocente, a conversa toma outros rumos. Diferente daqueles óbvios. Um dos jurados acredita na inocência do rapaz. Os outros onze precisam de argumentos concretos para modificar suas predileções. Começa, então, um diálogo perspicaz argumento contra argumento para modificar os interlocutores e fomentar seu sentimento ético e, sobretudo, de justiça. É sob essa determinação que o diretor Sidney Lumet introduz o tema negociação, muito bem elucidado, em sua obra cinematográfica: 12 Homens e Uma Sentença, 1957.  

Mais do que decidir sobre o futuro do réu, o filme pergunta, não responde. O veredicto não está no filme. Está na platéia. Está no senso crítico de cada um, na forma com que vemos o mundo e sentenciamos o comportamento alheio. A retórica, o argumento e a resolução está nos guiando em qualquer momento de interação. Olhe lá o que pretende fazer: condenar ou argumentar? 

SINGELEZA

 

 

Cade vez que me renovo

 

Raios de diferentes cores e intensidades

 

surgem na minha cabeça.

 

Efêmera, mas intensa

 

Eles dançam a profícua felicidade

 

Cada cor que atinge um objeto sólido

 

Pinta, fragmentando, seu corpo, como Van Gogh

 

Cada cor sua que me alcança

 

Desperta em mim, a palheta de cores múltiplas

 

da eternidade.

receita do dia:

Sabores e dissabores da felicidade

 

Buscando motivação

 

Às vezes penso que se meus pensamentos saíssem de minha cabeça comporiam comigo um imenso caleidoscópio. As cores que emanariam seriam das mais diversas e a natureza teria uma leva pontada de inveja.

 

Se meus pensamentos adquirissem formas, seriam das mais variadas, do corpo flácido ao olhar ingênuo do cachorro brincalhão. Da rigidez da mesa e da virtude das nuvens. Aliás, que gostoso imaginar formas...

 

Penso tanto que deveras tenho medo de minhas formulações aí o lado sombrio do arco-íris, desperta. As formas, por vezes, hilariantes, dão passagem ao obscuro. Mas, não dura muito e novamente, um clarão ilumina minha essência.

 

De negro as cócegas nos olhos. Existo. Para os outros, apenas mais um homem, para mim: uma parte do mundo. Seja meu ou seja seu. 

Receita do dia:

Suspiro

Há muitas maneiras de fazer suspiro, mas se você quer uma que fica sequinho por fora, e no dia que é feito ainda fica macio por dentro, e, se a receita tem que dar certo para tudo como Suspirinhos, Placas de suspiros para sobremesas e até para colocar em Bolos gelados flambados (Um luxo!!!), então a receita é essa!Suspiros tipo merengue.

Ingredientes:
1 copo americano (200 ml) até a borda (boca) de claras.
1/2 kg de açúcar refinado

Preparo:

E viva o Orkut

 

Época de escola registra muitas emoções. Eu, particularmente, tenho muitas para contar. Primeiro que é um período conturbado de que muitos anseios serão respondidos e também de frustrações. Assim que terminei o colegial pensei: e agora o que fazer? Na escola, passei todos os anos ouvindo dos meus professores que éramos o futuro do Brasil, aqueles que fariam a diferença etc, etc, etc. No terceiro ano colegial as coisas mudaram, estava nítido que não éramos bobagem nenhuma.

 

De tantas mentiras uma verdade. Minha turma na escola era o máximo. A sala era bastante unida, não tinham muitas desavenças e eu era o único homem do grupo formado de quase 15 pessoas. Não me sentia o rei, mas tinha muito orgulho. Nos formamos em 1998 e como não achamos que seria muita coisa fazer formatura, afinal comemorar o que?, resolvemos abdicar desse artífice hipócrita. Mesmo assim, fomos para a festa e nos divertimos bastante.

 

A sensação de que não nos veríamos durante um tempo fez com que nos animássemos em continuar nos contatando. Fomos amigos sinceros e compartilhávamos tudo. Absolutamente.

 

Cada um seguiu seu caminho e descobriu tantos outros, mas sempre com a idéia de que precisávamos nos rever. Foi o Orkut o responsável em nos juntar novamente, mesmo virtualmente.

 

Depois de tantas investidas, nos encontramos para um “chazinho” na casa da Elsa. De tantas em tantas risadas, descobrimos assuntos interessantíssimos uns nos outros. Mais amadurecidos, outrora ainda com o frescor de trabalhos vespertinos. Na hora de ir embora, o deja vu de que no dia seguinte nos encontraríamos na escola. Na velha escola que nos abrigou e que hoje transformou-se em outros sentimentos.

 

Amigos são assim mesmo. Raros. Importantes e muito significativos. Se sempre que nos encontrarmos novamente for o mesmo clima aconchegante (com certeza, será) nos provará sempre, que fomos feitos para estarmos juntos. Pelo menos no mesmo planeta. 

Receita do dia

 

Cachorro quente especial

 

Ingredientes:

 

§                   2 xícaras de maionese

§                   1 lata de molho de tomate

§                   1 colher de sopa de mostarda

§                   10 pães de hot dog

§                   10 salsichas aferventadas por dez minutos

§                   batata palha a gosto

 

Modo de preparo:

 

1.               Numa tigela, misture a maionese, o molho e a mostarda até obter um molho homogêneo e rosado.
 

2.               Coloque uma salsicha em cada pão e cubra cada uma com bastante molho, distribua batata palha a gosto e sirva a seguir acompanhado de catchup

 

"A cada mil lágrimas nasce um milagre

e a cada milagre

tantas outras são derramadas por felicidade"

Milágrimas
(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

Em caso de dor ponha gelo
Mude o corte de cabelo
Mude como modelo
Vá ao cinema dê um sorriso
Ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo
Se amargo foi já ter sido
Troque já esse vestido
Troque o padrão do tecido
Saia do sério deixe os critérios
Siga todos os sentidos
Faça fazer sentido
A cada mil lágrimas sai um milagre

Caso de tristeza vire a mesa
Coma só a sobremesa coma somente a cereja
Jogue para cima faça cena
Cante as rimas de um poema
Sofra penas viva apenas
Sendo só fissura ou loucura
Quem sabe casando cura
Ninguém sabe o que procura
Faça uma novena reze um terço
Caia fora do contexto invente seu endereço
A cada mil lágrimas sai um milagre

Mas se apesar de banal
Chorar for inevitável
Sinta o gosto do sal do sal do sal
Sinta o gosto do sal
Gota a gota, uma a uma
Duas três dez cem mil lágrimas sinta o milagre
A cada mil lágrimas sai um milagre

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