O PODER DA PALAVRA
Por Siva Nunes
Adam Smith já anunciava em tempos remotos, “Querer é poder”. A vontade de se fazer algo supera as dificuldades, ou melhor, permite ao cidadão enxergar melhor as estratégias de conquista. Não foi diferente com Hitler, evidente que estamos falando de contextos diferentes, e com o vizinho que pretende vender um objeto qualquer.
Está implícito no dia a dia a negociação para se fazer política entre nós. Repare quando precisa comprar algo e exija desconto. É negociação. Quando necessita de um favor, mas precisa ressarcir alguém para tal. É negociação. Quando, por intermédio de argumentos sólidos e factuais, induz alguém a acreditar no seu discurso. Opa. Será isso negociação, obtenção de poder ou manipulação?
Para tudo existe contexto. Uma mesma situação pode acontecer em lugares diferentes com intensidades diferentes e seu significado e resultado dependerá de seus interlocutores. Numa discussão entre amigos escolares, um se exalta e diz para o restante que é insuportável a aula de determinado professor. Amigo leitor, o professor referido lhe deu nota baixa em matemática. O aluno, resoluto, afirma que tal educador não deverá mais dar-lhes aulas. E merece essa punição.
Num tribunal um grupo de jurados decide qual será o veredicto de um jovem porto-riquenho acusado de ter matado o próprio pai. Doze homens trancafiam-se numa sala e começa, a priori, a sentença. Aparentemente, fácil de responder se o jovem é ou não inocente, a conversa toma outros rumos. Diferente daqueles óbvios. Um dos jurados acredita na inocência do rapaz. Os outros onze precisam de argumentos concretos para modificar suas predileções. Começa, então, um diálogo perspicaz argumento contra argumento para modificar os interlocutores e fomentar seu sentimento ético e, sobretudo, de justiça. É sob essa determinação que o diretor Sidney Lumet introduz o tema negociação, muito bem elucidado, em sua obra cinematográfica: 12 Homens e Uma Sentença, 1957.
Mais do que decidir sobre o futuro do réu, o filme pergunta, não responde. O veredicto não está no filme. Está na platéia. Está no senso crítico de cada um, na forma com que vemos o mundo e sentenciamos o comportamento alheio. A retórica, o argumento e a resolução está nos guiando em qualquer momento de interação. Olhe lá o que pretende fazer: condenar ou argumentar?
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