CAIXAS PRETAS 

Uma caixa preta com imagens. É isso que você tem em sua casa, em lugar privilegiado, muitas vezes, em forma de altar, na sua sala, quarto, cozinha e até mesmo no banheiro. Pode medir pouco mais do que seus braços abertos. Encanta, seduz e aliena. Muitos choram diante dela, afinal a televisão é um modo de divertimento e de entretenimento de muitos cidadãos brasileiros. 

Outra caixa preta, mas agora sem imagens. Diante dela pessoas choram. E, não estimado leitor, não procuram divertimento, tampouco podem mudar de assunto ou de canal ao levantar o braço. Aliás, se levantar o braço, muitos saem correndo em desespero.  Ali onde o sofrimento não é eterno, jaz. 

Deus inventou o homem e deu a ele a capacidade de transformar. Diferente dos animais, coadjuvantes no habitat terrestre, mas igualmente importantes, os homens inventaram tantos outros para se explicar e explicar Deus. Nos vários questionamentos, inventaram a TV. O homem preso numa caixa preta, ou cinza, ou branca, ou a cor que quiser, o quanto gastará nessa investida, vai de cada um, interfere na vida dos outros, invade, saqueia pensamentos, induz, modifica. Evidente que deforma também. Tudo dependerá dos anseios e de quanto o “merchandising” (interferência do anunciante nos programas) deixar. Será que estamos fadados a propaganda? O canal televisivo Cultura, é sempre um exemplo de boa programação, de informação de qualidade e de responsabilidade social. Mas, me aponte para quantas pessoas você indica os programas da rede? Melhor, me diga o nome de cinco programas apresentados pelo conglomerado? Sim. A “Cultura” deixou de ser estatal e passou a ser 50% pública e 50% privada.  

Satanás foi expulso do céu por querer ser Deus. O anjo mais bonito do universo foi banido de seu lugar de morada em 1914, coincidentemente, ano de início da 1ª Guerra Mundial. Novato na Terra, não? Foi motivo de chacotas, de elogios e de descrenças. Interpretado de várias maneiras, mexe com o imaginário popular. Falando em imaginário popular, a caixa preta, também influencia demasiadamente os pensamentos do povo. Povo esse que compra, em mais de 12 vezes, a tão sonhada caixa de imagens. Preta.  

Os tempos áureos de exibições foram esquecidos nos anos 50 e agora, o que podemos notar, é uma programação suja, de olhos vermelhos, com chifres e tridente com uma frigideira pronta para nos assar. Não. Claro que não. O fator comercial é apontado em todas as alternativas de programação aberta, mas nem tudo é ruim. Nem tudo tem que ser maniqueísta. Dentro de uma variada opção de alternativas, existem o que podemos classificar como: benéfico. É o que é isso? Ou contrário? 

Deus e Satanás foram construídos de diversas maneiras na tv brasileira. O bem e o mal lutam constantemente para que possamos polarizar, mesmo com exageros, os seres humanos e suas condutas. A TV é um reflexo do que existe hoje: exploração, sexualidade, violência, educação, entretenimento, cultura e tantos outros assuntos pertinentes a todos nós. O mais importante é pensar sobre quem assiste e como assiste. É para ele que a programação é desenvolvida. Não existe céu e inferno na TV, o que existe é interesse. De quem assiste e de quem domina. Monopólios? Falaremos disso numa outra oportunidade. 

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